Académica acusa José Eduardo Simões de retirar dois milhões do clube sem autorização

Estudantes reagem à carta enviada pelo antigo presidente e garantem que só voltam a responder ao ex-líder no tribunal.

Em comunicado publicado no site oficial dos estudantes, a direção liderada por Paulo Almeida recordou que José Eduardo Simões, “depois de descer de divisão e abandonar a Académica na maior crise desportiva, financeira e institucional de sempre, continua a proferir afirmações que demonstram à evidência que deseja prejudicar a Académica e o seu insucesso a todo o custo”, antes de partir para o ataque ao antigo presidente, apresentando vários documentos a defender a sua posição.

Cheques emitidos por José Eduardo Simões à sua ordem

Os estudantes revelam que, quando já estava demissionário do cargo de presidente da direção Académica, José Eduardo Simões “retirou nos últimos meses da SDUQ mais de 100 mil euros, entre cheques à sua ordem, toda a receita da loja da Académica de 2016 (até maio) e rendas da Académica que ele próprio ia receber em numerário”, continuando:

“Mais, o ex-presidente José Eduardo Simões retirou já da Académica cerca de dois milhões de euros, 800 mil dos quais na última década, sem qualquer decisão da Assembleia Geral a autorizá-lo”, acrescenta o comunicado.

Mecanismo de solidariedade da FIFA de Éder desviado

A Académica diz-se também lesada pelo antigo líder dos estudantes que “assinou [uma] procuração, já quando não era presidente, e assim impediu a Académica de receber dinheiro da transferência do jogador Ederzito, conforme fax do Lille”.

Fax do Lille a dar conta de que o mecanismo de solidariedade já havia sido pago

Procuração indevidamente assinada por José Eduardo Simões

Os estudantes contactaram o clube francês, a 30 de novembro de 2016, no sentido de receber a primeira prestação do mecanismo de solidariedade da FIFA, no valor de 22.441,54 euros.

O Lille informou a Académica de que esse pagamento já tinha sido feito a 26 de setembro para a conta bancária da sociedade de advogados Almeida, Dias & Associados, a ser utilizada por Gonçalo Almeida e Correia Dias, detentores da tal procuração devidamente assinada por José Eduardo Simões quando já não era presidente da Académica.

Para além dos dois milhões de euros que a atual direção da Briosa acusa José Eduardo Simões de ter desviado, os estudantes acusam ainda o antigo presidente de ter onerado o património do clube, sem autorização da assembleia geral, “assinando contratos de arrendamento por 20 e 30 anos, antecipando verbas avultadas que usou e fazendo constar nos contratos cláusulas penais contra a Académica de meio milhão de euros”, nomeadamente no que diz respeito à sede dos Arcos do Jardim, onde funciona atualmente um espaço de restauração.

Académica condenada a pagar várias multas

José Eduardo Simões diz-se ainda credor da Académica em dois milhões de euros, pode ler-se no comunicado, e mandatou os seus advogados para agirem contra a Académica em tribunal.

Os estudantes lembram ainda que os “dois milhões de euros inscritos por José Eduardo Simões a favor de si próprio (sem autorização da AG) é um saldo que tem de ser mais bem apurado em face dos factos trazidos a descoberto no processo em que José Eduardo Simões foi condenado a pena de prisão pelo crime de corrupção e outros elementos coadjuvantes”.

Carta dos advogados de José Eduardo Simões a dar conta da intenção de avançar para os tribunais

O comunicado dá conta de várias condenações da Académica “nas mais diversas sedes, desde ACT, SEF, Segurança Social, AT, Liga, FIFA, pedidos de insolvência, etc.”, estimando que a fatura a pagar “já vai em muitos e muitos milhares de euros, entre elas comissões avultadas a empresários”.

A direção da Académica “tentou guardar reserva sobre estes documentos no seio do clube” e lamenta ter sido levada a apresentá-los publicamente, uma vez que os mesmos têm sido revelados aos sócios em assembleia geral.

Esta tomada de posição acontece porque “o ex-presidente José Eduardo Simões teima em tentar fragilizar diariamente a Instituição perante parceiros, fornecedores, bancos, etc., insistindo em enviar comunicados”, numa ação que culminou com o acionamento dos “mecanismos para levar a Académica a tribunal”.

O comunicado termina com a direção a reiterar “o seu empenho em ter uma Académica viva, positiva, agregadora, vencedora e sustentável e (…) determinada a lutar por esta causa académica” e que, doravante, responderá ao antigo presidente nos tribunais.



Um comentário a “Académica acusa José Eduardo Simões de retirar dois milhões do clube sem autorização”

  1. […] Eduardo Simões considera comunicado da Académica uma “tentativa de Paulo Almeida para desviar a atenção do mais grave acto de dano […]

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