José Eduardo Simões denuncia “falta de transparência” na venda da sede dos Arcos

José Eduardo Simões considera comunicado da Académica uma “tentativa de Paulo Almeida para desviar a atenção do mais grave acto de dano patrimonial e lesão financeira da AAC/OAF”.

Num longo comunicado, com 27 pontos, a que intitulou “Na calada da noite”, o antigo presidente da Académica recusa ter movido um processo à Académica e desafia Paulo Almeida a “divulgar aos sócios e demais interessados qual o número e em que vara foi colocado”. Caso não consigam fazê-lo, afirma Eduardo Simões, “fica demonstrado que Paulo Almeida e a direcção mentiram” e, por isso, “não têm condições de desempenho dos cargos que ocupam”. Acrescenta ainda que os mesmos “terão de responder em juízo por calúnia e faltar à verdade”.

O ex-líder dos estudantes recordou as palavras de Paulo Almeida, em Julho de 2016, quando o acusou de “dias antes das eleições, assinado cheque de cerca de 100 mil euros em seu nome e se tinha feito pagar dessa importância”. Para José Eduardo Simões, uma vez que o presidente da Académica “não conseguiu mostrar o tal cheque”, voltou a faltar à verdade e “atir[ou] areia para os olhos” dos sócios da Briosa ao publicar, a 19 de Dezembro, cópia de vários cheques “seja de Janeiro e Março de 2016, outros de 2016”.

“Agora já não há cheque de 100 mil euros a poucos dias das eleições, mas cheques emitidos ao longo de um ano inteiro”, pode ler-se no comunicado. “E omite que essas importâncias foram contabilizadas pela AAC/OAF e abatidas à dívida que a instituição tem para comigo e da qual possuo a respectiva conta corrente dos movimentos desde Dezembro de 2002 até ao presente (da responsabilidade dos serviços de contabilidade da Académica/OAF, auditada pelo TOC e pelo ROC)”, continua.

Garante José Eduardo Simões que está “tudo claro e transparente”, antes de partir para mais um ataque à actual direcção, desta feita sobre o processo de venda da antiga sede dos Arcos do Jardim.

Falta de transparência e clareza na venda da sede dos Arcos

José Eduardo Simões considera que o negócio “constitui o mais grave ato de gestão imprudente da história da Académica/OAF, pelos danos patrimoniais e prejuízos financeiros que representam (…), tentou a actual direcção, com o seu comunicado, desviar as atenções deste fato”.

O edifício da antiga sede da Académica, relembra o ex-presidente, “foi sede da PROCAC, do CAC, da AAC/OAF e onde agora está instalado o Restaurante Still Is (Clube de Memórias), foi adquirido em 2008” durante um mandato a que teve “a honra de presidir”.

“Foi um grande momento da história da Académica, tal como foi a inauguração daquele imóvel reabilitado, em 2010”, sublinha.

José Eduardo Simões lembra também que, devido à falta de liquidez, a direcção da Académica aprovou “uma operação de lease back a 12 anos da Academia Dolce Vita com uma entidade bancária que ficaria proprietária da mesma durante esse período”, conforme Paulo Almeida fez saber aos sócios na assembleia geral de 23 de Setembro deste ano.

No entanto, denuncia, “não havia nenhuma operação aprovada por qualquer entidade bancária” e acusa novamente a direcção de faltar à verdade e de falta de competência, deixando no ar o porquê de a operação ter falhado. “Será porque os elementos da direcção se recusaram a prestar avais pessoais?”, questionou.

Ora, prossegue Eduardo Simões, foi o falhar da operação de alienação da academia dos estudantes que levou a direcção a virar-se para o edifício dos Arcos do Jardim, criticando a estratégia utilizada.

“Em vez de montarem uma operação hipotecária por período de tempo adequado (podia ser 12 anos), com taxas baixas e dinheiro emprestado por entidade bancária”, sugere o antigo líder dos capas negras, “foi deliberada a eventual venda do imóvel pelo valor base de um milhão de euros”. Esta decisão foi tomada em Assembleia Geral de 11 de Novembro e a ela seguiram-se cinco semanas em que “nada mais disse Paulo Almeida e a direcção da AAC/OAF sobre o assunto”.

A 16 de Dezembro, durante a reunião do Conselho Académico que antecedeu a Assembleia Geral dessa noite, surgiu “uma proposta de um conveniente anónimo, não por um milhão, mas agora por apenas 700 mil euros”, comentou José Eduardo Simões, antes de criticar o timing em que foram conhecidos os detalhes.

“Só a duas horas do início da Assembleia Geral (…) divulgam que, nessa proposta, os setecentos mil euros incluíam o pagamento, por parte da AAC/OAF, do IMT, dos ónus e encargos do imóvel, dos actos de registos e escrituras e outras despesas mais”, critica. “Ou seja, dos 700 mil, a AAC/OAF recebe apenas 580 mil.

E continua: “A amável proposta impõe que a AAC/OAF, para reaver o imóvel até 30 de Junho de 2019, tenha que pagar juros anuais de 7,5% (…). Ou seja, no limite, a AAC/OAF terá que gastar cerca de 840 mil euros para reaver o imóvel”, conclui, antes de convidar os associados a reflectir sobre este negócio.

“Pensem os associados da AAC/OAF no negócio que este presidente e esta direcção fizeram: em vez de hipotecar o imóvel, o que seria uma solução fácil se tratada a tempo e com competência, vendem o imóvel, embolsam apenas 540 mil euros agora e prometem pagar 840 mil euros daqui a dois anos e meio. Há que dizer que pior é impossível”, considera.

Ora, não foi apenas a solução encontrada pela direcção a merecer as críticas de José Eduardo Simões. O antigo presidente deixa ainda críticas à maneira como a operação foi conduzida por Paulo Almeida e direcção.

“Praticaram um ato de gestão imprudente, de que resultam danos patrimoniais e lesão financeira para a AAC/OAF, ou seja, infidelidade de gestão de uma Instituição de Utilidade Pública”, critica. “E fizeram isso sem antes divulgarem essa proposta publicamente, de modo a permitir que outras propostas credíveis surgissem (…). Se se soubesse que esta direcção aceitava propostas abaixo do valor que foi fixado na AG de 11/11/2016 (um milhão de euros), com toda a certeza que se conseguiam propostas melhores do que aquela que a direcção arranjou”, naquilo que considera ser uma tentativa de “impedir que qualquer alternativa melhor para a AAC/OAF surgisse e fosse considerada, que houvesse negociação para melhorar propostas e condições”.

Proposta de José Eduardo Simões foi ignorada

O comunicado termina com o antigo presidente a acusar a direcção de “sonegar, tanto no Conselho Académica, como na Assembleia Geral da AAC/OAF de 16/12, a proposta [enviada] por email a todos os elementos do Conselho, incluindo a totalidade dos elementos da direcção da AAC/OAF,  em que cobria, melhorando, a proposta que tinha arranjado”.

A proposta de José Eduardo Simões aumentava em 50 mil euros o valor da oferta apresentada, mantendo as mesmas condições. Ou seja, o ex-presidente comprava a sede dos Arcos do Jardim por 750 mil euros. Esta oferta acabou por não ser apresentada aos sócios na Assembleia Geral, que aprovou a única existente, no valor de 700 mil euros.

O ex-presidente denuncia ainda o “ambiente de secretismo e falta de transparência” com que o processo foi, depois, conduzido: “Para aumentar a vergonha, (…) esta direcção e o seu presidente apressaram-se a fazer a escritura no passado sábado, dia 17/12/2016, num notário de Tábua, para criar um facto consumado”.

José Eduardo Simões questiona-se “se esta venda é não apenas um ato de eventual infidelidade de gestão da direcção da AAC/OAF ou se existe algo mais por detrás deste negócio”, garantindo ainda que “este assunto não vai ficar por aqui porque haverá instâncias judiciárias e judiciais que vão ser chamadas a verificar todos os contornos deste negócio (muito mau para a Académica/OAF) e investigar aprofundadamente o que efectivamente se passou”.



Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *