Trump tenta enfraquecer investigação à Rússia enquanto pergunta sobre os seus poderes de perdão

Donald Trump instruiu a sua equipa para tentar influenciar e enfraquecer a investigação que o antigo director do FBI Robert Mueller está a conduzir quanto às suas ligações à Rússia, especialmente no que diz respeito às alegadas interferências russas no processo eleitoral americano.

Além disso, Donald Trump terá ainda inquirido junto dos seus conselheiros acerca do seu poder de perdão presidencial, nomeadamente se pode aplicar-se a assessores, membros de família e, em última análise, a si mesmo.

Esta demanda do presidente norte-americano surge depois da entrevista ao The New York Times, onde Trump insinuou que Mueller terá conflitos de interesse que poderiam afectar a sua investigação. O presidente ameaçou que há informação sensível que poderá partilhar com o conselho especial formado para investigar as suas ligações à Rússia.

O principal argumento de Donald Trump é o de que Robert Mueller seria o sucessor de James Comey, demitido do cargo de director do FBI. Segundo o The New York Times, Donald Trump não explicou como é que isso poderia ser considerado um conflito de interesses, mas avança que poderá ser o ponto de partida para a equipa do presidente começar a vasculhar no passado de Mueller para limitar a sua investigação.

Há ainda várias doações à equipa de investigação de Mueller provenientes do Partido Democrata e um historial com o campo de golfe que Donald Trump detém na Virgínia do Norte. Os conselheiros de Trump estão a analisar vários documentos na tentativa de encontrar qualquer coisa que possa abalar a investigação, mesmo que minimamente.

A busca de potenciais conflitos de interesse é bastante ampla. Inclui a análise de doações para candidatos democratas, antigos clientes dos investigadores e a relação entre Mueller e James Comey, cujo despedimento faz parte do objecto de investigação do conselho especial“, escreve o The New York Times. “Este esforço para investigar os investigadores é mais um sinal do braço-de-ferro entre Trump e Mueller, que se fez rodear de uma equipa de investigadores e outros agentes para determinar se os conselheiros de Donald Trump contribuíram para o esforço russo de interferir nas eleições presidenciais do ano passado“.

O The New York Times acrescenta que esta é uma tática semelhante à utilizada pela administração de Bill Clinton durante a investigação a Ken Starr, que teve origem no escândalo com Monica Lewinsky. Esta investigação à equipa de Mueller surge no seguimento de uma notícia da Bloomberg que dá conta que Mueller irá alargar a sua investigação aos negócios levados a cabo por Donald Trump.

O The Washington Post avança que Mueller teria acesso aos negócios de Trump ao longo de vários anos e também às suas declarações de rendimentos, o que levou o advogado do presidente norte-americano, Jay Sekulow, a atacar a notícia e a revelar qual a estratégia que a Casa Branca iria adoptar para combater a investigação de Mueller.

O presidente está preocupado com os conflitos de interesse que existem no conselho especial e algumas alterações no objecto da investigação“, revelou Sekulow ao The Washington Post. “A investigação terá de cingir-se ao seu mandato. Se extravasar o mandato, vamos protestar… Estão a falar de negócios imobiliários em Palm Beach, há vários anos. Do nosso ponto de vista, isso está bastante fora do objecto de uma investigação legítima“.

O The Washington Post escreve ainda que a administração Trump vai protestar este alargamento do objecto da investigação questionando se estão directamente relacionados com a investigação às suspeitas de conspiração com a Rússia ou qualquer outro país.

Donald Trump já se referiu a esta investigação como uma “caça às bruxas” e esta estratégia de defesa é uma tentativa de provar isso mesmo. No entanto, a equipa de Trump teme que a investigação de Mueller possa dar origem a outros inquéritos e, ainda segundo o The Washington Post, o presidente questionou os seus conselheiros sobre o seu poder de perdão e os seus efeitos no que diz respeito à investigação sobre a Rússia.

De acordo com um dos conselheiros de Trump, o presidente perguntou aos seus conselheiros sobre o seu poder para perdoar assessores, membros da família e até a si mesmo. Uma outra pessoa na Casa Branca revelou que os advogados de Trump têm discutido entre si o poder de perdão do presidente“, pode ler-se no The Washington Post.

Um conselheiro revelou, no entanto, ao The Washington Post que o presidente estava apenas curioso sobre os seus poderes e que, em momento algum, estaria à procura de um perdão presidencial para si próprio no que diz respeito à investigação das suas ligações à Rússia.



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