Foram bloqueados por Trump e agora querem processar o presidente dos Estados Unidos

Há vários utilizadores do Twitter que foram bloqueados por Donald Trump – por várias razões – e agora querem que o presidente dos Estados Unidos os desbloqueie… ou vão processá-lo.

"A conta de Donald Trump funciona como um 'fórum público' tendo em conta a Primeira Emenda [que estabelece as liberdades de expressão e de imprensa] e, consequentemente, o bloqueio baseado nas opiniões dos nossos clientes é inconstitucional", pode ler-se numa carta do Knight First Amendment Institute, da Universidade de Columbia, que representa vários utilizadores do Twitter que foram bloqueados pelo presidente norte-americano.

Um dos representados é Holly O'Reilly, bloqueada por Donald Trump depois de ter partilhado um tweet com um GIF do seu encontro com o Papa Francisco.

Os advogados defendem que bloquear utilizadores no Twitter impede a interação com Trump e que, assim, restrige a liberdade de expressão. A mensagem foi igualmente enviada para Sean Spicer, assessor de imprensa da Casa Branca, o conselheiros da Casa Branca e Dan Scavino, responsável pelas redes sociais de Donald Trump.

Para já ainda não foi aberto qualquer processo judicial contra Trump, mas é uma possibilidade em aberto, caso o presidente norte-americano não desbloqueie os utilizadores.

Outro utilizador é Joseph Papp, bloqueado por Trump depois de ter tweetado sobre Pittsburgh, depois de o presidente norte-americano ter referido o estado no discurso em que anunciou que ia retirar os Estados Unidos do Acordo Climático de Paris. No tweet, Papp adicionou a hashtag #fakeleader.

"Cada utilizador foi bloqueado depois de ter discordado ou gozado consigo [com Trump]", pode ler-se na missiva, que termina com um pedido para que Trump desbloqueie os utilizadores invocando a Primeira Emenda. Apesar de o Twitter não ser um local físico, Trump interage com as pessoas como um representante do governo e não pode escolher quem pode utilizar ou não a plataforma. O argumento é que o governo "não pode excluir as pessoas simplesmente porque não concorda com elas".

Sean Spicer diz que tweets são "declarações oficiais"

Entretanto, a mais recente posição de Sean Spicer pode ajudar este grupo de queixosos. O assessor do presidente dos Estados Unidos quer que os tweets de Trump sejam considerados "declarações oficiais".

"Donald Trump é o presidente dos Estados Unidos, por isso são considerados declarações oficiais do presidente dos Estados Unidos", afirmou Sean Spicer esta terça-feira, recusando assim a tese de dois conselheiros do presidente, que defendem que aquilo que Trump publica no Twitter são apenas publicações de redes sociais.

Sebastian Gorka, um dos conselheiros de segurança nacional do presidente, defendeu em entrevista à CNN que os tweets de Trump não deviam ser vistos como declarações oficiais: "Não são política, não são ordens executivas, são só tweets".

Também Kellyanne Conway, outra conselheira do presidente, desvalorizou em entrevista à NBC os tweets de Trump, afirmando que existe "uma obsessão em cobrir tudo o que Trump diz no Twitter e muito pouco do que faz enquanto presidente".



Um comentário a “Foram bloqueados por Trump e agora querem processar o presidente dos Estados Unidos”

  1. […] A intenção de processar Donald Trump não é novidade: a 6 de junho deste ano, o Knight First Amendment, da Universidade de Columbia, já tinha enviado uma missiva ao presidente dos Estados Unidos a pedir para desbloquear os utilizadores que tinha bloq…. […]

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