Jogadores de Jorge Mendes sob investigação

Todos os jogadores representados por Jorge Mendes que aparecem no Football Leaks, à exceção de James Rodríguez, estão a ser ou já foram investigados em Espanha. Houve expedientes abertos no Reino Unido e em Portugal, entre outros países.

O El Mundo fala num esquema complexo criado em 2004 por Jorge Mendes para ocultar os rendimentos dos seus representados e, através desse esquema, encaixar verbas milionárias — de acordo com a Forbes, o empresário recebe 85 milhões de euros todos os anos.

Além de Cristiano Ronaldo e Mourinho, também Ricardo Carvalho, Fábio Coentrão, Pepe, James Rodríguez e Radamel Falcão fazem uso desse esquema para gerir os seus direitos de imagem, um sistema que o diário El Mundo resume em apenas três passos. De acordo com os documentos do Football Leaks, todos estes jogadores, exceto James Rodríguez, estão sob investigação fiscal.

A título de exemplo, Falcão utilizava uma empresa colombiana para gerir os seus direitos de imagem, a Business Tiger SA., mas, quando se mudou do FC Porto para o At. Madrid, Jorge Mendes criou-lhe uma nova empresa.

Primeiro passo: Irlanda, o “paraíso fiscal” europeu

O sistema fiscal irlandês é bastante atrativo para várias empresas, que escolhem domiciliar-se naquele país devido à baixa tributação dos rendimentos em comparação com o resto da Europa: apenas 12,5%, o que faz com que seja o mais parecido com um paraíso fiscal sem o ser.

De acordo com a informação revelada pelo Football Leaks, Jorge Mendes tem duas empresas ali sediadas: a Multisports & Image Management (MIM) e a Polaris Sports. Estas duas empresas ficam com 60% dos direitos de imagem do futebolista agenciado. Os restantes 40% ficam nas mãos do clube que não pode aumentar a sua parcela.

Jorge Mendes, representado pelo advogado irlandês Andy Quinn, beneficia assim de um regime fiscal bastante vantajoso.

Segundo passo: empresas fachada no Caribe

Segundo revela o El Mundo, que integra o Consórcio Internacional de Jornalistas, os valores cobrados pelos jogadores em direitos de imagem, depois de pagos os impostos e as comissões, são enviados para várias sociedades criadas em vários paraísos fiscais, a maior parte delas nas Ilhas Virgens Britânicas. Muitas destas empresas têm sede fiscal no mesmo edifício e não apresentam qualquer atividade.

É neste ponto que o esquema começa a apresentar a sua complexidade: não se consegue descortinar os titulares de muitas destas empresas. A título de exemplo, os documentos do Football Leaks conseguem fazer a ligação entre a empresa offshore que José Mourinho utilizou e outra em seu nome na Nova Zelândia. Noutros casos é impossível fazer a ligação entre as empresas nestes paraísos fiscais e os seus reais donos.

Terceiro passo: o sigilo bancário da Suíça

As empresas criadas por Jorge Mendes para os seus clientes operam com vários bancos suíços, revela o El Mundo, entre eles o Mirabaud, o St. Galler Kantonalbank ou o Hyposwiss, onde os jogadores representados pelo superagente têm contas, tornando assim quase impossível o trabalho das autoridades fiscais de seguir o rasto dos milhões.



2 comentários a “Jogadores de Jorge Mendes sob investigação”

  1. […] Outras informações reveladas pela investigação das European Investigative Collaborations, denunciaram ainda alegados esquemas da Doyen para facilitar negócios, recorrendo a prostitutas ou ainda as várias ligações de Jorge Mendes a vários clubes europeus, entre eles o Monaco. De acordo com as informações publicadas, vários jogadores representados pelo super-agente estão, ou estiveram, a ser investigados pelas mesmas práticas. […]

  2. […] offshore para desviar receitas do fisco espanhol. De acordo com a publicação, Mendes — que também está implicado nos casos de Cristiano Ronaldo, Fábio Coentrão, Di María e Ricardo Ca… — está a ser investigado pelo Ministério Público espanhol e terá de depor no mesmo […]

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