Rússia terá utilizado facebooks falsos para tentar espiar Emmanuel Macron durante as eleições francesas

A Rússia negou de forma veemente que tenha interferido com as eleições francesas ou divulgado emails confidenciais, mas nunca se referiu quanto à utilização de perfis falsos de Facebook para acompanhar voluntários das campanhas e espalhar informação falsa.

Vários responsáveis dos serviços de informação norte-americanos e o próprio Facebook reconheceram que houve indivíduos russos que fizeram isso mesmo, embora não possam garantir que se tenha tratado de uma operação concertada com o Kremlin.

No entanto, o Facebook informou o Congresso norte-americano sobre as conclusões a que chegou e explicou como é que os russos por detrás das contas falsas de Facebook conseguiram fazê-lo e como algumas das técnicas utilizadas eram semelhantes às usadas para piratear o Partido Democrata em 2016.

De acordo com o Facebook, os responsáveis pela maior rede social do mundo aperceberam-se de alguma actividade suspeita durante a primeira volta das presidenciais francesas, notando ainda que algumas das técnicas utilizadas para recolher informações dos funcionários da campanha de Macron eram as mesmas dos serviços secretos russos.

A tentativa de interferir com as eleições francesas foi bastante semelhante àquela que teve como alvo o processo eleitoral norte-americano. Várias contas falsas de Facebook foram utilizadas para recolher informação e os hackers esperavam igualmente poder deixar malware ou recolher os dados de login dos utilizadores.

Estas contas falsas foram ainda utilizadas para partilhar notícias falsas (as célebres fake news) e também propaganda. Nos últimos dias da campanha, os hackers divulgaram uma série de documentos provenientes das contas de email de vários elementos da campanha de Emmanuel Macron.

Em Abril, o número de contas francesas encerradas devido a comportamento inapropriado ultrapassou as 40 mil e os funcionários do Facebook trabalharam com várias ferramentas automáticas para fazer essa triagem.

Não há, no entanto, qualquer prova de que os serviços secretos estiveram por trás desta tentativa de interferências nas eleições francesas ou de que agiram a mando de Vladimir Putin. Dá para perceber, ainda assim, a facilidade com que se consegue influenciar a opinião pública e as interferências em eleições não têm de ter como alvo as máquinas de voto para ser completamente eficazes.

Emmanuel Macron acabou por derrotar Marine Le Pen na segunda volta das eleições e tornou-se presidente da França, mas é impossível deixar de pensar no resultado de actos eleitorais futuros alvo de ataques de hackers e piratas informáticos cada vez mais sofisticados.



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