Há vida a nascer por entre os escombros de Mossul

O hospital Al-Khansa, na zona este de Mossul, pode ser apenas uma sombra do que já foi, mas continua a ser a principal maternidade da cidade.

Apesar da destruição que se vê até onde o horizonte permite, a vida continua a nascer por entre os escombros da cidade que foi palco de uma das mais sangrentas batalhas da história do Iraque e que ficou conhecida como a Batalha de Mossul.

Quando o Estado Islâmico ocupou Mossul, em 2014, o hospital manteve-se aberto, apesar de os residentes apenas poderem utilizar uma parte das instalações.

Os combatentes traziam as suas mulheres para darem à luz“, contou à Reuters Aziz, médico e administrador do hospital. “Os residentes de Mossul vinham sempre em segundo lugar“.

Com a guerra para recuperar o controlo da cidade, o hospital ficou em muito mau estado e ainda aguarda fundos do Ministério da Saúde para poder dar início à sua reconstrução. Enquanto esperam, os responsáveis do centro hospitalar têm contado com a ajuda de várias organizações não governamentais e donativos dos habitantes de Mossul para continuar de portas abertas.

Quem também tem contribuído são os trabalhadores do hospital – desde médicos, enfermeiros e restante pessoal – apesar de não receberem salários há mais de dois anos, depois de o governo em Bagdad ter cortado os salários para impedir o financiamento do Estado Islâmico.

No interior do hospital, que serviu em grande parte de armazém para o Estado Islâmico, vê-se muito equipamento danificado e inoperacional, assim como vários medicamentos queimados, fruto da guerra sangrenta entre o Estado Islâmico e as forças governamentais.

Quando as forças leais a Bagdad lançaram a ofensiva para recuperar o controlo de Mossul, o Estado Islâmico ocupou o hospital e expulsaram os doentes lá internados, chegando mesmo a disparar contra o pessoal hospitalar para obrigá.los a sair. Com a derrota cada vez mais certa, os militantes do ISIS acabaram por fazer explodir grande parte do hospital, que acabou por ser consumido pelas chamas.

Apesar da destruição e da falta de equipamento e medicamentos, o hospital Al-Khansa viu nascer quase 1.400 bebés só em julho deste ano, talvez um sinal de que Mossul – e o Iraque – estão preparados para a reconstrução e para o renascimento depois do tempo sombrio em que viveram sob o jugo do Estado Islâmico.



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