Público quer voltar a vender notícias

O Público vai em breve introduzir uma paywall de acesso a determinados conteúdos digitais. Por essa razão, tem publicado uma série de artigos sobre os grandes dilemas do jornalismo da actualidade. Hoje em dia, muitos títulos tentam compensar com assinaturas online a quebra nas vendas das edições impressas.

Produzir notícias profissionalmente sempre foi caro e isso não mudou com a tecnologia. A diferença é que, na era digital, o jornalismo passou a dar muito menos dinheiro. É um problema para os jornais e para quem vive deles, mas também para os leitores: menos dinheiro significa menos investimento em jornalismo.

Durante alguns anos, acreditou-se que a publicidade online compensaria o declínio do negócio das notícias em papel. Mas as previsões não se concretizaram e muitos jornais estão agora a tentar uma outra estratégia: pedir aos leitores para pagar pelo produto digital, numa altura em que muitos já deixaram de pagar pela edição impressa e a maioria consome notícias, e demais conteúdos jornalísticos, gratuitamente na Internet. A Apple, com o conceito de aplicações para tablets e smartphones e com uma bem-sucedida loja de conteúdos digitais (graças à comodidade e sensação de segurança oferecida aos clientes) foi parcialmente responsável pela ideia de vender notícias online. A ineficácia dos outros modelos que os jornais foram tentando fez o resto.

O Público decidiu recentemente adoptar um sistema de pagamentos, na senda de jornais como The New York Times e o Financial Times, cujo sucesso tem inspirado muitas outras publicações. O novo modelo do PÚBLICO deixa os leitores abrir 20 artigos por mês antes de serem convidados a fazer uma assinatura. O conceito por trás deste género de sistema é manter visitantes em número suficiente para continuar a fazer dinheiro com a publicidade e, ao mesmo tempo, conseguir receitas com um nicho de leitores assíduos e dispostos a puxar do cartão bancário.

João Pedro Pereira



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