Carlos do Carmo recebe o primeiro Grammy português

Carlos do Carmo vai ser distinguido com o Lifetime Achievement Grammy, que distingue carreiras de referência no panorama internacional, sendo o primeiro artista português a recebê-lo.

O galardão será entregue a 19 de Novembro no MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas, numa altura em que o fadista celebra 50 anos de carreira.

“O Board of Trustees da Latin Academy of Recording Arts and Sciences decidiu, por unanimidade, atribuir a Carlos do Carmo o Lifetime Achievement Award, galardão que distingue a obra das grandes referências do panorama musical internacional”, indica a produtora do fadista em comunicado.

Dedicatória especial

Na primeira entrevista desde que lhe foi comunicada a atribuição do prémio, ao Expresso Diário, Carlos do Carmo dedicou a distinção a todos os que passaram pela sua carreira de já 50 anos, desde compositores, fadistas e guitarristas.

“Eu sou autodidacta, não componho, não toco nenhum instrumento. Tudo o que canto foi sempre composto por outras pessoas (…). Lembro-me sempre da minha mãe, da Maria Teresa de Noronha, da Amália, do Marceneiro, do Carlos Ramos, do Joaquim Campos, do Armandinho, das pessoas que fizeram as fundações do fado, que criaram os pilares disto tudo”, revela, em declarações ao Expresso Diário.

“E depois lembro-me da minha geração e a seguir dos músicos que trouxe comigo, músicos extraordinários, que foram fabulosos e que deram um arejamento ao fado”, prossegue. “Lembro-me do Tordo, do Paulo de Carvalho, do José Luís Tinoco, do António Victorino d’Almeida, gente que deu ao fado uma estética diferente”.

“Lembro-me dos poetas que escreveram para mim ao longo da vida, do meu saudoso Britinho ao meu Ary, e destes mais recentes, do Nuno Júdice ao Fernando Pinto do Amaral ou à Maria do Rosário Pedreira e ao jovem Júlio Pomar. Eu penso nesta gente toda”, continua.

“Além do mais, o fado não se canta sozinho e, portanto, recordo ainda os grandes guitarristas que me acompanharam vida fora, o Fernando Santos, José Nunes, o Carvalhinho, os velhos guitarristas, os melhores, o Fontes Rocha, Martinho d’Assunção, Raul Nery (só o Armandinho é que não me acompanhou), com todos gravou”, lembra.

E não esquece a nova geração que está a nasce para o fado: “Lembro-me ainda da nova geração, destes miúdos que tão bem tocam, falo do Ricardo Rocha, do Paulo Parreira, José Manuel Neto e Carlos Manuel Proença… Não quero esquecer-me de ninguém. Este foi um caminho de 50 anos trilhado por todos e não pode deixar de ser encarado como um prémio colectivo por isso mesmo. O fado é um trabalho colectivo e vive desse colectivo”.



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