Do Porto a Barcelona é um festival de distância?

O NOS Primavera Sound começou em Barcelona, em 2001 e em 2012 viu nascer a edição portuguesa, no Parque da Cidade do Porto. O HASHTAG foi conhecer quem já esteve nos dois festivais para saber o que os une e o que os separa para além da distância.

Do Porto a Barcelona são quase mil quilómetros de distância, mas são duas cidades unidas por um mesmo festival: o Primavera Sound. O HASHTAG encontrou Tânia, uma festivaleira que já esteve em Barcelona e este ano veio ao Porto para conhecer a edição portuguesa.

São festivais bastante diferentes, principalmente pela dimensão. Em Barcelona é muito maior e os dois principais palcos estão um em frente ao outro e as pessoas circulam entre os dois. Aqui estão lado a lado, é um pouco diferente. No Porto só há quatro palcos e é bastante fácil ver os artistas que queres, em Barcelona, como é maior, tens mesmo de fazer escolhas“, explica-nos Tânia, de 25 anos, a tirar o doutoramento em Biologia Celular e Molecular em Amesterdão, na Holanda.

O conceito do festival, por outro lado, é praticamente o mesmo, ou não fossem os dois um Primavera Sound: “São parecidos porque há diferentes géneros de música em cartaz, mas os artistas são praticamente os mesmos. Vejo mais estrangeiros em Barcelona, aqui no Porto há mais portugueses… Há menos espanhóis a fazer barulho durante os concertos“, confessa, entre risos.

E o ambiente no recinto? Afinal de contas, é muito do que faz um festival…

O espaço aqui no Porto é brutal, é muito mais bem aproveitado. Estejas onde estiveres, consegues ver os concertos“, descreve. “É tudo muito mais tranquilo, há mais crianças e famílias… Diria que é um festival um bocado mais familiar… até certa hora“.

Tânia não veio sozinha. Com ela veio Alex, o namorado, holandês, que conheceu em Roterdão. É a sua primeira vez em Portugal e também a primeira vez que vem a um Primavera Sound.

Eu e a Tânia somos gostamos muito de música e, especialmente, de Aphex Twin… Quando anunciaram que vinham ao Primavera Sound, eu estava de férias na Nicarágua, a Tânia comprou os bilhetes para nós e planeámos as férias todas em torno do festival, porque eu também nunca tinha vindo a Portugal“, contou-nos Alex, de 27 anos, engenheiro informático em Roterdão.

Em termos de festivais, esta é a primeira vez que Alex participa num festival com três dias. A experiência, aliás, é bastante diferente daquilo a que está habituado na Holanda.

Estou a gostar muito, apesar de ser a primeira vez que venho a um festival de três dias. Sempre imaginei que fosse um bocado mais duro, mas é diferente… Aqui começamos o dia mais tarde, podemos vir só depois de jantar porque os cabeças de cartaz atuam mais tarde. Esta é a grande diferença para a Holanda: os festivais começam à uma da tarde e às onze de noite acabam“.

Antes de terminar, Tânia quis dar mais uma achega: “Em Barcelona, o festival é mesmo no centro da cidade e podemos dormir lá. Aqui dizem que é Porto, mas na verdade é Matosinhos e é um pouco mais deslocado. Mas com táxi ou mesmo outros transportes públicos demora um bocado mais…



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