Facebook tem 600 milhões de utilizadores mobile

O Facebook não revela o número de utilizadores das suas aplicações, mas o analista Benedict Evans descobriu uma maneira de ter acesso a esses dados, que demonstram o caminho e os esforços do Facebook tem vindo a fazer nesse sentido.

O dado mais interessante de verificar é que o número de utilizadores através da plataforma Android está a crescer muito mais rapidamente do que no iPhone, mas está instalado em menos aparelhos.

iOS vs Android

Em Setembro de 2011, o Facebook para Android tinha 66 milhões de utilizadores mobile activos (UMA), enquanto o Facebook para iPhone registava 91 milhões UMA. Em Dezembro desse ano, a aplicação Android ultrapassou a aplicação para iOS. 11 meses depois, em Novembro de 2012, o Android atingiu os 192,8 milhões MAU, enquanto o iPhone tinha apenas 147,2 milhões MAU.

Estes dados indicam que o Android é uma fonte de crescimento fundamental que ajudou o Facebook a atingir os 600 milhões de utilizadores mobile no final do terceiro semestre de 2012, o que sublinha a necessidade de o Facebook acelerar o desenvolvimento de aplicações para Android.

Muitas novas funcionalidades e por vezes aplicações novas são lançadas primeiro no iPhone. Esta opção pode ter como explicação o facto de o Facebook ter distribuído iPhones pelos seus empregados durante algum tempo e muitos deles ainda os usarem mais do que a aparelhos Android.

Embora o Facebook para Android tenha mais utilizadores absolutos que a aplicação para iPhone, o smartphone da Apple tem uma taxa de utilização muito maior. A aplicação nativa no iOS é utilizada por 73,6 por cento dos 200 milhões de utilizadores que a têm instalada, contra 35 por cento dos 550 milhões de utilizadores de Android. Uma explicação para estes números pode ser o facto de o sistema operativo da Google ser bastante popular na China, onde o Facebook está bloqueado pelas autoridades do país. No entanto, demonstra também a falta de penetração do Facebook em mercados emergentes como a Índia, onde os Android são muito populares.

No entanto, estes números deixam de fora o iPad. O Facebook para iPad cresceu muito rapidamente de alguns milhões de utilizadores em Setembro de 2011 para 48 milhões UMA em Setembro de 2012. Com uma estimativa de 100 milhões de aplicações instaladas em iPads, 48 por cento utilizam o Facebook mensalmente. É uma taxa de utilização menor que a do iPhone mas merecedora de actualizações regulares.

Apesar disso, dos 195,2 milhões de aparelhos com iOS a aceder regularmente às aplicações do Facebook, apenas 53,8 milhões (27,5 por cento) têm a integração do Facebook com o iOS 6 ligada, o que significa que muitos utilizadores não estão a utilizar a sincronização com os contactos, partilha ou ligados a outras aplicações. O Facebook precisa assim de encontrar maneira de convencer mais utilizadores a ligar essa integração, tanto para seu próprio bem como para convencer a Apple de que é um bom parceiro.

A grande conclusão a retirar daqui é que o Facebook precisa de concentrar mais esforços no Android. Se tivesse desenvolvido as aplicações para iOS e Android ao mesmo tempo, por esta altura o Android teria mais UMA que o iPhone e iPad juntos.

Telemóveis inteligentes a crescer; RIM, Nokia e Windows nem por isso

Entre Setembro de 2011 e Novembro de 2012, os utilizadore da aplicação do Facebook para telemóveis inteligentes (não são smartphones, mas têm características que os diferenciam dos telemóveis tradicionais) Facebook for Every Phone duplicou para 82 milhões. O crescimento desta aplicação demonstra que os mercados emergentes em todo o mundo estão a virar-se para o mobile e que grande parte está a usar o Facebook.

No entanto, não se ouvem muitas novidades sobre esta aplicação. Talvez porque a maioria dos funcionários do Facebook usam smartphones e, por isso, se torne mais complicado aferir da sua importância, pensar em melhorias e testar actualizações. Mas até que os smartphone low cost tirem o lugar aos telemóveis inteligentes nos mercados emergentes, o Facebook necessita de melhorar esta aplicação.

No entanto, não precisa de preocupar-se muito com as plataformas de segunda linha dos smartphones. O Blackberry, da RIM, ainda detém uma base de utilizadores bastante significante (60,2 milhões, em Dezembro de 2012). No entanto, este número era de 48,9 milhões em Novembro de 2011 e o tablet PlayBook tinha 690 mil UMA em Dezembro de 2012.

Já a Nokia tinha 15,7 milhões de utilizadores em Novembro de 2012, enquanto o Windows Phone não tinha mais do que dois milhões. Dispensar programadores e recursos para estas plataformas seria uma estratégia muito pouco inteligente para o Facebook.

Messenger cresce rapidamente, mas ainda falta muito

O Facebook serve para muitas coisas e ter várias funcionalidades online faz sentido. No entanto, tê-las todas numa só aplicação pode fazer com que esta se torne lenta. E essa é uma das razões por que o Facebook começou a lançar aplicações individuais em Agosto de 2011. Elas permitem aos seus utilizadores um acesso rápido e uma interface dedicada a uma funcionalidade bastante popular e, ao mesmo tempo, permite que o Facebook teste novidades que poderá adicionar às suas aplicações principais.

Depois de comprar a Beluga, uma aplicação de mensagens em grupo, em Março de 2011, o Facebook redesenhou a sua interface e incorporou-a no seus sistema de mensagens web e móvel, resultando no Facebook Messenger, que foi lançado para iOS e Android em Agosto de 2011.

Um mês mais tarde, já contava com 3 milhões de utilizadores mensais activos. O seu crescimento acelerou no Outono e em Novembro já contava com 10 milhões de UMA. Continuou a ganhar utilizadores de forma estável e a aplicação para Android ultrapassou a do iOS no Outono de 2012. No final de Novembro, o Messenger tinha 22,8 milhões de utilizadores no iOS, 32,3 milhões no Android e 1,6 milhões no Blackberry, somando um total de 56,7 milhões de utilizadores.

No entanto, ainda falta muito para o Messenger percorrer. O WhatsApp tem vários milhões de utilizadores e a chinesa TenCent afirma que a sua aplicação WeChat contava, em Dezembro de 2012, com 200 milhões de utilizadores. Daí que o Facebook tenha tentado comprar o WhatsApp, bem como o Snapchat, que acabou por clonar e criar o Poke. Deter a plataforma que os seus utilizadores usam para falar com outras pessoas é fulcral para o Facebook, uma vez que o ajuda a aprimorar os seus algoritmos para determinar relevância.

Facebook Camera não consegue competir com o Instagram

O Facebook sempre soube que deveria apostas nas fotografias. Por isso, muito antes de iniciar as negociações para comprar o Instagram, começou a desenvolver a Facebook Camera. O negócio do Instagram foi rápido, a Camera estava quase pronta e por isso foi lançada como aplicação individual um mês mais tarde, em Maio de 2012. No entanto, ainda não está disponível em Portugal.

Apesar de a Facebook Camera ter os seus próprios filtros, oferecer a possibilidade de fazer o upload de várias fotografias ao mesmo tempo e maior flexibilidade em cortas as fotografias, não conseguia competir com o Instagram, que ultrapassou os 100 milhões de utilizadores em 2012.

Um mês depois do seu lançamento, a Camera chegou aos 1,4 milhões de utilizadores. Seis meses depois, tem apenas mais 100 mil. No entanto, isso não significa que não seja importante para o Facebook: demonstrou que os filtros e a possibilidade de fazer o upload de várias fotografias ao mesmo tempo eram bastante populares e, por isso, o Facebook acrescentou essas funcionalidades às suas principais aplicações. Apesar disso, o Facebook fará melhor se se dedicar ao desenvolvimento do Instagram.

Que futuro para o Facebook Mobile?

Para o futuro, o Facebook deve concentrar os seus esforços no Android, tornar a sua aplicação para os telemóveis inteligentes mais global e perceber se deve concentrar-se numa só aplicação ou várias individuais. Isto para não falar na monetização do mobile.

O crescimento do Android significa que esta aplicação tem de tornar-se na principal. A competição entre Facebook e Google pode tornar isso um sapo grande para engolir, mas precisa de se concentrar na sua estratégia social. Deve olhar para o desenvolvimento de uma boa aplicação para Android para tirar partido do número de smartphones que têm o Android instalado.

Há imensos telefones inteligentes no mercado e nem todos usam o Facebook. Zuckerberg deveria tentar perceber como conseguir que os seus utilizadores nos telemóveis inteligentes convençam outros utilizadores a usar o Facebook.

Finalmente, com o Messenger, Camera, Poke e Páginas, o portfolio de aplicações individuais do Facebook começa a crescer. Os utilizadores podem não querer um écrã cheio de Facebook e pode levá-los a deixar as aplicações numa pasta. Mas, se pensarmos melhor, a Google teve bastante sucesso com as suas próprias aplicações individuais. De qualquer maneira, 2012 foi um ano em que o Facebook decidiu apostar no mobile; 2013 vai ser o ano em que se verá se essa aposta deu frutos ou não.



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