Twitter deve ser Nobel da Paz?

O Twitter deve ser candidato a Nobel da Paz, afirma o antigo conselheiro da Administração Bush, Mark Pfeifle, num artigo de opinião para a revista Christian Science Monitor.

Esta posição é justificada em parte pela cobertura dos confrontos no Irão, na sequência dos resultados da polémica eleição presidencial iraniana, que elegeu Mahmoud Ahmadinejad.

As manifestações foram relatadas através desta rede social, depois de os jornalistas internacionais terem sido obrigados a abandonar o país. Assim, o Twitter foi a ferramenta ideal para furar o cerco de vigilância e de censura montado pelo regime de Ahmadinejad.

No ponto alto das manifestações contra os resultados do escrutínio, foram publicados 220 mil tweets por hora e publicados cerca de dois milhões de artigos sobre a revolta iraniana, em todo o mundo, segundo o analista Ben Parr do Mashable.com.

“Neda transformou-se na voz de um movimento; o Twitter transformou-se no megafone. O Twitter transformou-se numa janela para o mundo ver a esperança, o heroísmo e o horror. Transformou-se no editor, no repórter e no produtor. E, por causa disso, o Twitter e os seus criadores deveriam ser considerados para o Prémio Nobel da Paz”, afirma Pfeifle, citado pelo Público.

O autor do artigo de opinião conta que sugeriu, há uns meses, num canal de televisão por cabo, que o Twitter fosse candidato a Nobel da Paz mas que na altura ninguém o levou a sério.

“É compreensível. Mas pensem naquilo que o Twitter conseguiu alcançar: permitiu às pessoas tentarem resolver um conflito doméstico com implicações internacionais – e permitiu ao mundo pôr-se ao lado delas. Lançou as bases para que o mundo pressione o Irão e denuncie a opressão no Irão”, continua Pfeifle.

“Sem o Twitter, o mundo poderia ter sabido pouco mais do que o facto de um candidato perdedor estar a acusar o poder de uma alegada fraude. Sem o Twitter, os iranianos não se teriam sentido com poder suficiente e com confiança para lutarem pela liberdade e pela democracia. Eles só o fizeram porque sabiam que o mundo estava a ver. Com o Twitter, eles agora gritam esperança com uma paixão e dedicação que ressoa não apenas junto das pessoas daquelas ruas, mas em milhões de outras pelo Globo”.

“Apesar de não sabermos qual será o desfecho da revolta iraniana (…) o Twitter e outras redes sociais tornaram-se ‘armas suaves’ da democracia. O Twitter contou-nos a história do supremo sacrifício de Neda. Está a contar-nos a história do povo iraniano, ansioso por liberdade. Por essas razões, o Twitter merece ser considerado para o Prémio Nobel da Paz”.

O Prémio Nobel da Paz já foi atribuído a personalidades como o Dalai Lama, Martin Luther King e Madre Teresa de Calcutá. É atribuído a todos os que lutam pela “fraternidade entre as nações” e pela promoção da paz. O vencedor do ano passado foi o antigo presidente finlandês e diplomata das Nações Unidas, Martti Ahtisaari, enviado especial da ONU durante a guerra do Kosovo.

Fonte: Público



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