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Activistas conseguem furar censura à Reuters

Activistas conseguem furar censura à Reuters

| On 20, Nov 2013

Todas as muralhas têm as suas falhas e a Grande Firewall da China — a censura online que o governo chinês aplica no país para bloquear sites que considera perigosos para os seus cidadãos — não é excepção.

Um grupo de activistas encontrar uma maneira de contornar a Grande Muralha da China para desbloquear o site chinês da Reuters, que foi censurado a semana passada.

O site está agora acessível na China através de um mirror site — um site com o mesmo conteúdo do site original, mas com endereços diferentes — disponibilizado no domingo por um grupo de activistas autointitulado GreatFire. Este mirror site da Reuters está alojado na Amazon Web Services e o grupo tenciona hospedar um segundo mirror site na cloud da Google.

Nenhum destes serviços está bloqueado na China, por isso os utilizadores que saibam os endereços dos mirror sites conseguem ler a versão chinesa da Reuters, apesar de o site oficial estar bloqueado.

Os activistas do GreatFire, grupo fundado em 2011 para protestar contra a censura online na China e que tem publicado uma lista de todos os sites bloqueados no país, lançou o mirror site em resposta à decisão do governo chinês de bloquear as versões chinesas da Reuters e do The Wall Street Journal.

“A notícia do bloqueio dos sites aborreceu-nos”, afirmou ao site de tecnologia Mashable Charlie Smith (pseudónimo), um dos fundadores do GreatFire. “Pensámos que podíamos fazer alguma coisa contra isso e foi o que fizemos”.

Acção simbólica

Os activistas admitem que esta não é a solução ideal, uma vez que os utilizadores chineses têm de encontrar o link directo para o mirror site e a própria página do GreatFire está bloqueada na China. No entanto, decidiram avançar com esta iniciativa, mesmo que com alguns bugs, um gesto que Smith definiu como uma “acção simbólica”.

“Queríamos criar este mirror site o mais depressa possível para poder retaliar contra esta ofensa da censura chinesa”, pode ler-se no blog do GreatFire que anuncia os mirror sites. O artigo em questão tem por título “Olha, mãe! Consigo ver para além da Grande Firewall”.

“A razão por que escolhemos criar os mirror sites da Reuters chinesa foi para mostrar às autoridades e à internet chinesas que há buracos na Grande Firewall”, acrescentaram os activistas, que criaram vários mirror sites que foram rapidamente bloqueados, excepto o que está hospedado na Amazon.

Smith explicou que este último é o único ainda disponível porque o governo chinês teria de bloquear todos os domínios da Amazon Web Services apenas para desactivar proibir um mirror site.

Esta estratégia foi adoptada noutra iniciativa do GreatFire: FreeWeibo, um mirror site que mostra conteúdo bloqueado ou censurado no Sina Weibo, serviço de microblogging chinês, muito semelhante ao Twitter. O grupo ainda registou o domínio FreeWeibo.com para publicar o conteúdo bloqueado, mas o governo chinês rapidamente bloqueou o acesso ao site.

MAIS INFO: China tem mais censores do que soldados

No entanto, e segundo o GreatFire, o FreeWeibo recebe cerca de 15 mil visitas todos os dias, a maioria de utilizadores chineses. “FreeWeibo recebe por dia 300 visitantes únicos através dos mirror sites na Amazon e Google”, afirmou Smith. Estes mirror sites estão hospedados na Amazon Web Services e na cloud da Google desde 6 de Novembro.

O site alternativo da Reuters foi lançado sem que o grupo avisasse a empresa, conforme pode ler-se no blog do GreatFire, que acrecenta que irão removê-lo imediatamente caso a Reuters assim o entenda. Barb Burg, porta-vez da Reuters, afirma que a empresa sabe da existência do site e que está a analisar o assunto.

O fim da censura online

Martin Johnson (pseudónimo), co-fundador do GreatFire, e Charlie Smith não revelam as suas verdadeiras identidades porque têm grandes ligações à China e querem proteger-se a si e às suas famílias.

“Queremos fazer um bom trabalho e não acabar numa prisão chinesa. Precisamos das nossas ligações chinesas para que isto funcione”, explicou Smith. “Queremos acabar com a censura online na China”.

Estes activistas esperam que, ao oferecer uma forma de contornar a Grande Firewall e aceder à Reuters, consigam convencer o presidente chinês de acabar com a censura online no país.

“Sr. Xi Jinping, espero que esteja atento. Deixe este episódio passar, finja que nada se passou e não faça nada para impedir isto”, lê-se no site do GreatFire. “Ou, melhor ainda, levante o bloqueio a estes dois sites e às centenas de outros. Faça-o de uma vez, irá apanhar toda a gente desprevenida e crie um legado como um verdadeiro reformista do país”.

Durante o dia de ontem, o mirror site da Reuters recebeu mais de 2.300 visitas da China.

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