Nick Cave não desiludiu na última noite do NOS Primavera Sound

O cantor londrino era o nome maior desta última noite do NOS Primavera Sound e não desiludiu os fãs que aguentaram horas de chuva para o ver actuar.

A Primavera veio ontem, deu um ar da sua graça e… desapareceu. Se ontem parecia uma tarde de verão, como Junho deve ser, no sábado a chuva voltou e não foi tão meiga como já tinha sido na quinta-feira.

Luís Severo e Oso Leone foram os primeiros artistas a actuar no NOS Primavera Sound e, no palco SEAT, os melódicos acordes do jovem músico português fizeram-se ouvir no Parque da Cidade.

Do outro lado do recinto, mais precisamente no palco Super Bock, Kelela emocionava-se com a recepção que o público lhe fazia: “Não consigo cantar enquanto estou a chorar”, confessou a artista, recebendo nova ovação da plateia.

De volta ao palco SEAT, com a noite a cair sobre o Parque da Cidade, os Public Service Broadcasting apresentaram o mais recente LP, “Every Valley”, numa confluência de samples e instrumentos suportada por imagens clássicas, a preto e branco. A actuação incluiu o tema Everest, que conta a história da subida ao ponto mais alto do mundo, em 1953, de uma equipa de expedicionários liderados por Hillary e Tensing.

Mas o NOS Primavera Sound estava ali para ver Nick Cave, o grande cabeça de cartaz do único dia do festival que esgotou os bilhetes, e nem a chuva, que pareceu abrandar instantes antes do início da actuação, afastou os milhares de fãs do cantor de um concerto bastante marcante e que foi o momento alto da noite.

A abertura foi feita ao som de “Jesus Alone”, do álbum mais recente “Skeleton Tree”, de 2016, numa performance de 12 músicas, na qual houve espaço para sucessos como “Red Right Hand”, “Into my Arms, “Jubilee Street” ou “Stagger Lee”.

O músico distribuiu abraços, toques nas mãos e aplausos ao público e terminou o concerto com “Push the Sky Away”, quando convidou cerca de 50 pessoas para cima do palco para imitar os seus gestos, empurrando o céu com as mãos.

A chuva e o frio foram circunstâncias ignoradas no set de Joe Goddard, acompanhado por uma vocalista em várias músicas, com os festivaleiros a fazerem a festa graças à electrónica do produtor inglês, ainda antes de Nick Cave & The Bad Seeds subirem ao palco para o momento mais esperado da noite.

A guerra contra a chuva prosseguiu no concerto de The War on Drugs, mas os festivaleiros foram aguentando ao som da banda americana que tocou êxitos como “Red Eyes” e “Holding On”, terminando com uma longa interpretação de “Under the Pressure”.

No encerramento do palco principal, os Mogwai ofereceram uma viagem pelas sonoridades post-rock, com a festa a continuar no palco Bits ao som de Denis Sulta e Avalon Emerson, cabendo ao duo sueco-espanhol Talaboman o encerramento definitivo desta edição.

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